Resenhas de conferências = CAFÉ CONS(CIÊNCIA) = FACULDADE CHRISTUS
Por Francisco José Alves de Aragão
Segue relatório de palestra sobre “ DIREITO, ARTE E CULTURA “
________________________________________________
Tratou-se de palestra sobre o tema em epígrafe, mesa composta das seguintes pessoas: Luís Alberto Warat (palestrante), Pablo Mayné (artista plástico), Francisco Humberto Cunha Filho (advogado da união/ professor) e Cláudia Leitão (coordenadora do curso de Direito). A abertura foi feita pela Profa. Fayga Bedê, que teceu elogios ao convidado, bem como encerrou sua fala com um poema de Fernando Pessoa, chamado “Denúncia” e, provocou o convidado com a seguinte pergunta: Enfim, Direito é Arte ou Ciência? Dada a palavra à presidente da mesa, Sra. Cláudia Leitão, esta fez as apresentações dos participantes e encerrou suas palavras com a leitura de uma “DECLARAÇÃO DE AMIZADE”, que em seguida foi assinada pelos dois convidados ( Luís Alberto Warat e Pablo Mayné). O profº Warat usou da palavra para responder enfaticamente a questão outrora formulada, de que Direito não é ciência, e sim poesia, uma sentença é pura poesia; que a criatividade humana , através da arte é que é o fio condutor das mudanças da sociedade; o homem necessita de humanismo e deve valorizar as raízes culturais locais; continua sua fala dizendo que assim como o Direito não é ciência, não existe o verdadeiro amor; que produzir Hermenêutica é um trabalho poético, que todos os conhecimentos hermenêuticos são poéticos; ocorre que os “sistemas de ilusões” são necessários para suprir nossa inacessibilidade a um suposto plano superior; que a Justiça é um sistema de ilusão; que há dois tipos de sistemas de ilusão: Os que nos nutrem e os que nos intoxicam; que na vida, no amor, se perdemos a capacidade criativa de reinventar as ilusões, morremos; o Estado de Direito é, dos sistemas, um dos que mais intoxicam, ora, para o Estado mais importante são as leis do que os homens, diz o professor. No entanto, as leis só têm sentido se houver homens, pois são feitas para e pelos homens; então se criam modelos de interpretação das leis; dessa forma, o juiz não precisa escutar as partes, apenas interpretar as normas; o professor levantou uma estatística que fez no sul do país, onde segundo ele cerca de 70% dos juízes detestam as partes, assim como os professores detestam seus alunos, os médicos detestam seus pacientes, etc...; que há um mito de que a visão da justiça seria cega, no entanto quem faz a Justiça são juízes e desembargadores e esses não são cegos, enxergam muito bem, notadamente quando se trata de enxergar as mulheres; A imagem de cegueira está associada à imagem da Justiça; O que se nota, continua o professor em sua explanação, é que para se formar Bacharel em Direito, tem-se que perder a sensibilidade, havendo o que ele chama de “PINGUINIZAÇÃO”, ou seja, pasteurização, basta que se olhe o jovem estudante, recém-ingresso e o formando, e seus comportamentos; assim, todo magistrado é moldado a pensar da mesma forma. A garantia de acesso à Justiça, diz o professor, é balela, papo-furado; a mediação hoje está sendo feita muito mais pelas ONG´S que pela Justiça; o futuro mesmo está na mediação popular ou comunitária, que inclusive tem outro rito; na realidade, continua, a mediação formal também está pasteurizada; o professor continua seu discurso dizendo que o CONFLITO , esse sim, é a base do Direito, que não há uma cultura de paz, isso é errado, paz só no cemitério. Intervenão feita por uma professora para abordar a questão do multi-culturalismo, no que é rebatida pelo mestre, pois falar de multi-culturalismo é muito complicado, que não se incorpora uma cultura do outro sem experimentá-la. O Professor e Advogado da União Humberto Cunha é convidado a intervir e começa por falar da complicação da delimitação do termo “cultura”, que segundo ele, tem mais de 300 definições; no entanto há uma tentativa de delimitação no campo das artes e saberes; falou também sobre o caso dos “mestres da cultura”, um pouco da sua vida, da disciplina de Direitos Culturais , que ministra da UNIFOR-UNIVERSIDADE DE FORTALEZA, que é a única no Brasil, e convidou a todos para dia 04.09 assistirem a uma rodada sobre filmes de Shakespeare, seguidos de debates Direito e Política em Shakespeare, na UNIFOR. Bem, por falta de tempo, foi dada a palavra final ao artista plástico Pablo Mayné, que brevemente teceu comentários sobre o valor da ingenuidade; que praticar as contradições é o que nutre o ser humano e, por fim, enfatisou a cautela com relação ao multi-culturalismo.
________________________________________________
Segue relatório de palestra sobre o tema: MPB X DIREITOS AUTORAIS :
Tratou-se de palestra sobre o tema em epígrafe, mesa composta das seguintes pessoas: FAUSTO NILO, RICARDO BACELAR, GRETA E CLÁUDIA LEITÃO; a apresentação foi feita pela Profa. Fayga Bedê, que discorreu sobre o ambiente dos cafés em variadas épocas, da Grécia a Paris, do café Boca Maldita (Pr) à nossa Padaria Espiritual (Ce); clima em que sempre se encontram os debates calorosos dos mais variados assuntos, bem como as cabeças-pensantes da sociedade; Pois bem, dada a palavra à Profa. Cláudia Leitão, esta teceu rápido comentário sobre os encontros e repassou a palavra ao arquiteto e compositor Fausto Nilo, que começou por falar de poesia e de oralidade, que sempre se davam nos cafés e nos bares, relembrando lugares de sua época em Fortaleza, como o Anísio, o Nilo, o Copacabana, Deó, o Gordo e o magro, etc... que eram lugares ditos de convergência , além da Faculdade de Arquitetura. O principal convidado deste primeiro encontro continuou por dizer que sonhara muitas vezes com o Rio de Janeiro, em sua infância, pois ouvira e era diletante do sistema de rádio de então, “antenado” para se usar termo hodierno, isso com 11 anos de idade, no seu interior; que ouvia de tudo, rádio Tamandaré, Globo, etc... e que gostava muito do futebol – Vasco da Gama – times do eixo Rio-São-Paulo; outro sistema a que o convidado tinha acesso à epoca era o sistema de auto-falantes daquela cidade, que contava com um acervo de 10.000 discos de cera; de certa forma era um privilégio ser um menino que podia jogar futebol, chupar bom-bom e ouvir o sistema de auto-falantes simultaneamente. Em sua casa todos cantavam e respeitavam com o silêncio aqueles que estavam a cantar. Seu pai dizia que quando alguém está cantando, ninguém conversa, nem canta. Um aspecto interessantíssimo levantado por ele é a questão do que ele chama de “ Homens sem face”, ou seja, o anonimato dos autores das músicas, ou seja, da face dos autores, que não aparecem para o grande público, e assim, pode ouvir todas as críticas , boas e más acerca da sua obra; disse ainda que olhar as pessoas na rua era , para ele, um cinema, bem como não poder explicar poesia alguma, pois são inexplicáveis, na medida em que o intérprete é quem as recria; falando especificamente sobre música, Fausto disse que em 1959 era ainda rapazinho, mas foi ao único show que João Gilberto fizera em Fortaleza, no Cine Samburá; que o marco inicial da Bossa-Nova é sempre complicado, pois antes já havia Dick Farney, Jair Amorim, que ele considera o precursor das primeiras letras modernas; o convidado relembrou de uma Fortaleza de 200.000 habitantes, em que não existia sequer a palavra táxi, e sim Posto de carro; Na época a convergência se dava pelo futebol e pela esquina , não havia a intelectualidade, mas os clubes, colégios eram os segmentadores da sociedade; ele pegou toda a transição do pós-guerra, da sociedade de consumo, e no Brasil conta ele que a passagem de pequenas cidades para metrópoles foi desastrosa, haja vista a industrialização automotiva e o advento do televisor, pois o que ele chama de Falta do objeto a consumir se traduz pelo fato de que a mensagem do objeto a consumir, veiculada pela televisão é democrática, na medida que todos podem ver, só que, na outra ponta, em nível de consumo, não há igualdade. Em 1974, disse ele, foi o pior ano da minha vida... por medo de informantes da ditadura; por fim disse que nunca fez música com o objetivo de mensagem, fez pela questão da sonoridade mesmo, da oralidade. Os Novos Baianos foram uma luz em sua vida, pois transgrediam toda a formalidade da época, eram nonsense para aqueles tempos duros.
___________________________________________________
Dica de Leitura : Zierer, Otto. Bild der Jarhhundert [ A imagem dos séculos em 37 volumes ], 1961 . Uma história universal, escrita na forma de folhetim. O autor faz do leitor uma testemunha de cenas descritas de forma romanceada, nas quais aparecem figuras históricas.
_______________________________________________
Filosofia Univérsica ou Cósmica...
" A Filosofia Univérsica ou Cósmica é a filosofia segundo o universo, ou Cosmos. O modelo do homem deve ser o próprio Universo com suas leis eternas. É chegado o tempo para construirmos a filosofia sobre esse fundamento univérsico- liberta da estreiteza de pessoas e de escolas; filosofia como reflexo e eco do próprio Universo. Os métodos que visam esse ideal são, por vezes, complicados e laboriosos- mas a meta é simples e gloriosa. Não perca, pois, a visão da meta longínqua que demandamos em face das setas que colocamos ao decorrer da humana jornada. Sirva-se destas como de diretrizes seguras à beira da estrada- mas tenha o bom-senso de abandonar as setas a fim de atingir a meta que elas indicam. Quem se agarra à seta posta à beira do caminho falha a finalidade dela. O sentido da seta é ser abandonada; a sua finalidade é transcendente, e não imanente; não é um espelho refletor, mas uma janela aberta que dá visão para os horizontes infinitos. A missão de seta ultrapassa o seu corpo presente e se realiza na alma ausente, a meta, que jaz em região longínqua, para além da ponta da seta indicadora. Assim são os métodos visando à meta" . - Huberto Rohden
___________________________________________