segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Palestras3 OS LIMITES POROSOS ENTRE A CIÊNCIA E A FILOSOFIA

CAFÉ CONS(CIÊNCIA) - Faculdade Christus - GRANDES MESTRES, GRANDES DEBATES.
""OS LIMITES POROSOS ENTRE A CIÊNCIA E A FILOSOFIA ""
– Tarcísio Pequeno , Flávio Gonçalves .
Resenha de conferência = Por Francisco José Alves de Aragão =
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= >> Tratou-se de palestra sobre o tema em epígrafe, mesa composta das seguintes pessoas: Tarcísio Pequeno e Flávio Gonçalves (debatedor); a apresentação foi feita pela Profa. Fayga Bedê, que não estava com seu xale tradicional, convidou os participantes para a mesa, depois fez breves considerações acerca do convidado e do palestrante e, foi enfaticamente convidada a permanecer também à mesa. Passada a palavra ao convidado, Profº Tarcísio Pequeno, este introduziu seu discurso dizendo de sua mania de não guardar nada que não seja informação útil. Fez breves referências aos Jônios (filósofos), os chamados “cosmólogos”, então passou a falar sobre a metafísica aristotélica, para depois informar que foi só no fim da idade média que houve a dita divisão entre Filosofia e Ciência. Logo que pode fazê-lo, tratou de defender seus posicionamentos sobre as delimitações entre Ciência e Filosofia. Para ele, a Filosofia procura obter algo que seja “sabedoria”; já a Ciência estaria à procura de algo que seja “conhecimento”. Coube então indagar sobre o que seria conhecimento e o que seria sabedoria. O conhecimento, disse ele, é tudo o que pode ser transferido, repassado. É por meio dele que herdamos todo o manancial cultural, toda a produção da humanidade. Já a sabedoria seria algo pessoal e intransferível, fruto de busca, implicaria em “forma de vida”. O profº Tarcísio passou então a fazer um paralelo entre as duas fronteiras, no sentido de progresso/ evolução. O conhecimento pode se acumular, todavia, em sua diferenciação básica da informação, há a dependência do leitor, posto que, este, só terá conhecimento através da informação se estiver preparado para articulá-la, contextualizá-la, ou seja, capacidade para dialogar com o texto fonte. Então, apesar de toda essa “obesidade informativa” da hodiernidade, pode-se chegar a algum conhecimento pela forma acima relatada. No entanto, nenhum conhecimento é capaz de conduzir à ética e ao caráter. Conhecimento só vira sabedoria quando posto em prática sob forma de vida adequada, salutar, ambiente para felicidade individual {“há sociedades campeãs no conhecimento e medíocres na sabedoria”} . Filosofia é, para ele, “maneira de viver”. É Nietzche que irá acusar Sócrates de traidor da Filosofia, porque a separou de forma de vida. Platão (fundador da Academia) também passou a ensinar o saber!!, mas como ensinar o saber? A partir deste ponto passou o profº Tarcísio a dissertar sobre o sistema de danças, que é o fundamento da religião para os povos primitivos, a prática corporal. {saúde vem de sanidade}. A Antropologia, na consideração da religião primitiva, buscava-a apenas como um sistema de crenças. Já sobre a Arte, disse ele, equivale ao saber, a habilidade das habilidades, que é viver. Para a Filosofia moderna, na esteira do pensamento de Wittgeinstein, “se a Filosofia não servir para ensinar a pensar, servirá para quê?” Pensar deve ser um exercício que pressupõe “inclusão” e “abrangência”, a capacidade de levar em conta os diversos aspectos discordantes de várias áreas. Disse o professor que o Nazismo utilizava-se de argumentos impecáveis para chegar a situações absurdas, pois se utilizavam de premissas válidas, razoabilíssimas, para chegarem a teses absurdas. Ocorre que, disse o Profº, aquelas não eram todas as premissas razoáveis possíveis. Tratando das origens orientais da Filosofia, disse ele que essa vertente tem no mestre, no guru, seu principal vetor. É pela práxis, e somente por ela, que é-se capaz de repassar sabedoria, tendo em vista que a palavra não quer dizer nada, é tão-somente um “atrapalhador”—a linguagem é um meio limitadíssimo para se alcançar a compreensão de sabedoria, de vida humana. Aqui houve a intervenção para o debatedor, Profº Flávio Gonçalves, tecer suas considerações e formular seus contra-argumentos. O debatedor começou por dizer que a intelectualidade (representante do conhecimento) sempre esteve supervalorizada, em detrimento da ética e da moral (representantes da sabedoria); que o sistema educacional é e foi montado sob o prisma da fragmentação, da dissociação, do reducionismo e, que há, assim, um distanciamento da Filosofia; que é um problema epistemológico a demarcação dos campos da Filosofia e da Ciência; que , no entanto, parece não existir fronteiras, hoje, entre Filosofia, Ciência, Arte e Religião; que a declaração de Veneza sedimentou a opção pela transdisciplinaridade . De volta a palavra ao convidado, Dr. Tarcísio Pequeno, este quis situar o atual estágio, ou seja, onde nos encontramos. Disse ele que, em verdade, o reducionismo é uma necessidade do método científico, do método analítico, em que é preciso dividir para completar. Porém, não é o único método possível. Há complexos integrativos, abrangentes e holísticos. Então, estaríamos vivendo a transdisciplinaridade, onde tudo vale, ou seja, é preciso se utilizar de tudo: reducionismo e integracionismo. O palestrante indagou que, hoje, é impossível para um ser humano dominar todo o conhecimento, pois a divisão do trabalho intelectual faz com que haja um acúmulo fantástico do conhecimento. As máximas da redução e da abrangência são : { saber tudo sobre quase nada –reducionismo- e, saber nada sobre quase tudo- integracionismo }. A relação entre cultura x ciência é característica do séc. XXI. Formar o humanista sem uma cultura ampla será impossível, bem como o técnico (sem literatura) será um mero peão. Portanto, é preciso generalização e especialização. Finalizando o evento, o palestrante enfatizou que a lógica avançou mais no séc. XX do que nos 2000 anos precedentes e que é preciso entender a natureza para entender a humanidade e, assim, ser feliz. Fomos então convidados pela coordenadora do evento, Fayga Bedê, a tomarmos o café Santa Clara que, dessa vez atrasou, mas estava muito bom.
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