Resenha de Conferência = Profº. Liberal de Castro e Luciano Guimarães= 24.11.2007 = Faculdade Chistus = Café Cons(ciência)
Por Francisco José Alves de Aragão
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A introdução do evento foi delegada à competente professora Fayga Bedê, que assim o fez declamando o poema “Buenos Aires”, de Jorge Luís Borges. Posteriormente convidou os membros da mesa, a saber : Profº Liberal de Castro, palestrante do dia; Luciano Guimarães, debatedor; Profªs. Cláudia Leitão e Mônica Barroso, demais componentes. Dada a palavra a Cláudia Leitão, esta começou por dizer da importância da cidade na vida de todos, especialmente das crianças e dos jovens, que já não têm mais a calçada, o quintal, a praça, lugares de formação na vida de qualquer pessoa, por serem espaços de convivência essencial. A coordenadora teceu muitos elogios ao professor Liberal, como formador de muitas gerações de arquitetos que passaram pela faculdade de Arquitetura. Passou então a palavra ao palestrante, que inicia sua fala questionando logo o modismo com que é tratado o termo “Patrimônio” hoje, e que, para ele, passou a ser meio de vida de muitas pessoas. No entanto, disse ele que o termo é razoavelmente recente em termos de História. Foi no renascimento que uma quantidade considerável de material escrito foi resgatada e, entre eles, o material de Vitrúvio, da mesma época de Cristo. Como funções basilares da obra arquitetônica temos a solidez, a utilidade e a beleza. O interessante é perceber como a utilidade está mais ligada à vida útil do prédio do que a solidez, posto que o abandono do mesmo leva-lo-á a ruir. Fato interessante destacado pelo professor é que, em Roma, no ano 300 d.C., existiam 1200.000 habitantes e, posteriormente a sua decadência, ela se destrói. Devido às várias reconstruções, a arquitetura antiga que se ainda se vê é de, aproximadamente, ano 1400 d.C para cá. No século XVIII houve a figura importante dos chamados antiquários, que colecionam e estudam objetos, levantam fundamentos. Quando do advento da Revolução Francesa, os revolucionários queriam destruir qualquer simbologia mas, os antiquários tinham a noção de preservação, de cuidado para a posterior lembrança. O professor falou que a História da Arte é uma História independente da História tradicional. Somente com Napoleão e sua figura de Imperador, é que o Estado começa a preservar seus monumentos, bem como faz-se um balanço dos mesmos. “ Arquitetura é investimento...” , “...é preciso olhar e aprender a ver” , disse o professor Liberal. A cultura da preservação irá aparecer no Brasil apenas em 1910, depois com a semana de arte moderna e seus precursores, notadamente Mário de Andrade, de onde se começa a falar em tombamento -são livros de classificação- , patrimônio artístico nacional e, com um decreto-lei do ministro Capanema é criado o IPHAN, que irá gerir o acervo arquitetônico e artístico nacional. Em princípio, o Iphan se preocupava mais com as igrejas, etc... neste momento é dada a palavra a Luciano Guimarães, debatedor, que disse ter passado pela Faculdade de Arquitetura (5ª turma) em 1969 e, nessa época, a faculdade funcionava 24h por dia. Está mais do que confirmado o jargã “ A Arquitetura fica, as pessoas passam” , disse ele. Em 1973 ele participou de um levantamento intitulado SOBRAL- 200 anos de vila, um resgate da memória dos sobrados, que tinham suas datações de construção. Foi convidado em 1976 para o Departamento de Patrimônio e Planejamento do estado. Disse o debatedor que não só o acervo arquitetônico colonial está tombado, mas também muitas outras edificações mais recentes e, isso vem ao encontro do reforço à necessidade do Direito urbanístico, não só do modismo. Adiante falou que a participação do cidadão e, muitas vezes, de grupos de pessoas, com uma cultura firmada sobre o tema, é como se garante a preservação. Disse ele que a cidade não é somente o edifício, mas acima de tudo caminhos e espaços públicos. Nesse momento deu-se a intervenção da Profª. Cláudia Leitão, que abordou a questão da mudança dos edifícios dos principais símbolos dos poderes constituídos, como o fórum, a prefeitura, a câmara dos vereadores no que, pelas suas palavras, ocorreu um um “genocídio” do centro- simbolicamente- . O Profº. Liberal interveio para dizer que isso está ocorrendo em todo lugar do mundo, que cidade é escala urbana, que Fortaleza é, hoje, uma cidade sem raízes, sem referências físicas e comportamentais e, que ele mesmo, Liberal, não tem mais vínculos sentimentais com a cidade de Fortaleza, salvo vínculos intelectuais. Falou rapidamente sobre o tema do fisco, da isenção de impostos para quem preserva, mas que é uma prática que, no Brasil, não dará certo nunca, pois irão inventar o que preservar, para burlar . Bem, nas cidades espanholas, continuou o Profº., tudo parte de problemas de alto valor simbólico. Os centros são mantidos, suas referências simbólicas são mantidas. Aqui, retiram-se os edifícios simbólicos, bem como existem atividades que não se enquadram no conjunto, como por exemplo, todo um setor comercial que vai do Palácio do Bispo ao Palácio da Luz, entre outros exemplos.
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