Resenha de livro = "O Arcaísmo como Projeto"
-João Fragoso e Manolo Florentino -
por Francisco José Alves de Aragão
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Os autores começam explicitando exatamente essas questões da economia colonial tardia e do ideal aristocrático, a busca por entender a persistente desigualdade brasileira por meio de alguns de seus nexos com a história colonial tardia e sua natureza arcaica, impedindo que a economia possa ser apreendida por si mesma sem levar em conta os aspectos não-econômicos que informavam seu funcionamento; a reprodução do sistema econômico se imbricava organicamente na contínua reiteração de uma hierarquia social fortemente excludente; a formação colonial tardia era constituída por um tipo específico de reprodução, na qual os próprios mecanismos de ascensão social implicavam recriar o padrão excludente; a apropriação do excedente produzido aqui perpetuava em Portugal uma economia e sociedade vinculadas ao antigo regime, ou seja, reiterar uma estrutura preexistente, com a aristocracia agrária à testa; os negociantes de grosso trato da colônia monopolizavam as atividades mais rentáveis, sobretudo a agricultura; defendem os autores então que houve um crescente enriquecimento da elite mercantil e uma contínua pauperização das camadas subalternas livres; a elite mercantil viu-se marcada pelo IDEAL ARISTOCRÁTICO, que consistia em transformar a acumulação gerada na circulação de bens em terras, homens e sobrados; foi assim que se constituiu uma economia colonial tardia, arcaica por estar fundada na contínua reconstrução da hierarquia excludente; O capítulo IV — Elite mercantil e a lógica de reprodução em uma economia colonial tardia — faz uma análise do emprego do capital proveniente da atividade mercantil nas primeiras décadas do oitocentos, e como a sua reprodução se orientava para a concentração da riqueza em pequenos grupos ou famílias. Esta acontecia através das relações do comércio com outras atividades, exercidas também fora do Brasil, por parentes ou sócios destes. Para os autores, estas relações aconteciam dentro de uma rede de reciprocidades envolvendo casamentos entre famílias de sócios, sem a qual não seria possível a consolidação do mercado colonial dada a distância entre as regiões ; No capítulo V, O Arcaísmo como projeto, os autores concluem que a articulação do Estado português à sociedade marcada por valores próprios do Antigo Regime, concebeu na colônia uma elite mercantil através dos comerciantes de grosso trato, cujo capital também fomentou a perpetuação de uma aristocracia rural. A evidência deste processo encontra-se na transformação da terceira ou quarta geração desta elite mercantil em senhores de terras e homens, objetivando o distanciamento do mundo do trabalho, mesmo quando tal atividade mostrava-se menos lucrativa do que o comércio. Os grupos que compuseram a elite imperial resultaram da repetição de valores aristocráticos e da concentração de riquezas oriundas da conjugação entre a agroexportação e o abastecimento interno. Impedindo a consolidação de um segmento médio significativo ao longo do século XIX e ao mesmo tempo tornando-se um padrão de concentração de renda na sociedade brasileira até os dias atuais.
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