terça-feira, 30 de setembro de 2008

BLOG´S DO ZEZÉ - 01 ANO

Estou completando 01 ano aqui no mundo virtual, em forma de blog. Estou devendo muito, eu bem sei, mas é por justo motivo: os estudos e trabalhos diversos não me estão deixando tempo disponível para atualizações constantes desses espaços. De qualquer forma, farei o possível para atualizar completamente os dois blogs até o final deste ano. Sinto-me orgulhoso de ter um retorno de toda parte do Brasil, por pessoas que me pedem cópias de livros de minha biblioteca, bem como as resenhas e fichamentos estão sendo úteis a estudantes que procuram sobre certos assuntos na internet. No mais, antecipo um feliz natal e ano novo maravilhoso para todos. Um grande beijo no coração de todos !!! Francisco José Alves de Aragão - Fortaleza,Ce, Brasil, mensagem escrita aqui no Núcleo de Pesquisas e Estudos Regionais-NUPER_, Campus do Benfica, da Universidade Federal do Ceará, neste final de tarde de terça-feira, 30 de Setembro de 2008.

Palestras4 : Conhecimento, Interpretação e Hermenêutica

Conhecimento, Interpretação e Hermenêutica"
Faculdade Christus, 27.09.2008


Tratou-se de palestra com o tema “Conhecimento, Interpretação e Hermenêutica, com o prof. Raimundo Bezerra Falcão, da Universidade Federal do Ceará. Feitas as devidas apresentações pela debatedora, Profª. Germana Belchior, começou o renomado autor do livro “Hermenêutica” a traçar os fundamentos do processo de conhecimento, fazendo as delimitações do que seriam o “sujeito cognoscente” e o “objeto cognoscível”. Os objetos cognoscíveis, salientou ele, apresentam-se na dimensão de sua forma. Não são inteiramente como são, ou seja, não são apresentados aos sentidos em sua completude, posto que no âmbito sub-atômico, p.ex., os átomos apresentam mais espaço do que propriamente matéria, e citou o exemplo de uma simples mesa. Citando Bacon, atribuiu-lhe o crédito da afirmação de que “tudo que está no intelecto passa pelos sentidos”, e, completou Libnitz a afirmação pretérita com “...exceto o próprio intelecto”. É preciso, porém, que a relação entre sujeito x objeto seja percebida, conscientemente, ou melhor, o sujeito haverá de se aperceber do objeto cognoscível. O professor tratou então de conceituar o que seria “conhecimento”: É o processo pelo qual o sujeito cognoscente se apercebe, conscientemente, da realidade do objeto cognoscível. Deste ponto em diante o renomado mestre passou a tratar do ramo da Filosofia dita ontológica , ou seja, a que trata da teoria do ser, explicando ele que os bilhões de tipos de seres ou objetos podem ser divididos em 04 grandes grupos, quais sejam : Objetos Ideais; Naturais; Culturais; Metafísicos. Os Ideais só existem como idéia, não existem no tempo e no espaço, como a matemática, explanou o professor. Aqui ele abriu um parênteses para dizer que “a coisa é, quando foi objeto do pensamento humano e, a coisa existe, quando independe de ser pensada. Pensou, passa a ser, independente de existir ou não. Os objetos Naturais são os produtos da natureza, animais, vegetais e minerais. Os Culturais são os que o homem empresta sentido, alterando a natureza. Estes necessitam de uma base material. Deu o professor então o exemplo da linguagem.Já os objetos Metafísicos são aqueles de dimensão superior ao mundo físico, de dimensão espiritual, etc...Estes o homem pode apenas especular ou intuir. O notório professor passou então a explanar sobre Hermenêutica, dizendo tratar-se da atividade pela qual o ser humano capta o sentido das coisas, pois tudo é interpretável. É a captação de sentido para a realidade. Disse o professor que a natureza também nos diz coisas, que é interpretável, nos provoca sentimentos. “Aquilo que me faz bem pode fazer mal a alguém” , ou seja, o sentido é inesgotável, pois a mente cria inesgotavelmente. Portanto, para interpretar é preciso se prevenir de que o sentido é inesgotável. Elegemos nossas próprias conclusões. Agora, a Hermenêutica traça diretrizes no intuito de não deixar os sentidos tão multifacetados, portanto é ela a parte da Ciência e da Filosofia que nos ensina o “bem interpretar”. Os bons objetivos da interpretação devem ser um porta-voz do bem comum, do senso de responsabilidade para consigo e com os outros. Há, segundo o professor, 02 tipos básicos de hermenêutica; I) para aplicação (em virtude dos valores de alguém – o que envolveria responsabilidade maior, pois envolve valores de outros seres humanos); e II) para si próprio (apenas para conhecimento). Segundo Sócrates o conhecimento faz a dignidade do homem, e o homem é portanto um animal hermenêutico, que escolhe bons e maus valores. Passou-se então a fase debatetória, com perguntas e respostas, pelo que a professora debatedora, Srta. Germana Belchior formulou as seguintes questões: A relação entre pré-compreensão e hermenêutica, o que seria? Como o Sr. vê os grandes primatas como sujeitos de Direito. O professor respondeu que para nos aperceber-mos da realidade precisamos de raciocínio, no entanto já temos pré-conceitos estabelecidos. Esses conceitos ou pré-compreensões têm relação estreita com a hermenêutica, pois lhes dão diretrizes; no tocante aos grandes primatas, disse o professor que os mesmos não podem ser sujeitos de Direito, pois para que tal situação se configurasse como factível, os animais deveriam ser imputáveis, pois sempre que se fala em Direito há que falar-se em sua antípoda, a obrigação. Como esses animais iriam pagar suas transgressões com caretas? Indagou o professor. Por fim, o professor explanou sobre o relativismo filosófico, citou Protágoras na sua frase célebre que “o homem é a medida de todas as coisas” e falou da dimensão coletiva do homem, que é a primeira, até mesmo porque quando da concepção, os gametas se encontram, já estamos falando em encontro, em coletividade, em dupla. Então, resta ao homem saber conviver com essas dimensões, sob pena de se ver à margem de tudo e de todos.